Receber e transmitir amor é fundamental para o meu equilíbrio, e nada melhor que vivê-lo nas mais diversas formas e patamares.
Chegado a uma fase da vida livre das responsabilidades laborais e com maior disponibilidade de tempo, senti necessidade de abraçar novas tarefas.Tento contrariar alguns confortáveis conceitos pessoais e impor a mim próprio uma filosofia de vida onde continuar a ser útil aos outros é também um dos caminhos de realização pessoal. É aqui que surge uma curiosidade pelo que se vai fazendo em Lisboa no campo do voluntariado.
Sem qualquer experiência anterior, procurei chegar a uma das várias associações de cariz humanitário perto da minha residência. Fiz uma inscrição via Net num site que aglutina o universo das diferentes necessidades pretendidas numa bolsa de voluntariado, e fui posteriormente contactado pela Raízes a fim de me submeter a uma entrevista de avaliação. Após alguns dias do primeiro encontro recebi um telefonema dando-me conta de que tinha sido admitido e dei os primeiros passos de voluntário na sede recebendo um enorme apoio de boas vindas.
Depois de algum tempo, e de ter participado numa formação com técnicos da associação, fui acompanhado por um e conduzido à presença de uma idosa que vive sozinha na área da Ameixoeira.
Devo referir que fui encontrar, um trabalho de levantamento das carências e necessidades da senhora por parte da Raízes e eu simplesmente iniciei um acompanhamento de diálogos e partilha de valores humanos para com uma idosa de mobilidade reduzida, totalmente dependente da Segurança Social no apoio domiciliário em termos de alimentação e higiene.
A minha intervenção circunscreve-se obviamente a um outro domínio, mas, sem qualquer dúvida, e desde a primeira hora, descobri com enorme satisfação, que me tinham escolhido um utente adequado ao meu perfil psicológico e propicio a desenvolver as primeiras responsabilidades como voluntário.
Assim, e para que consiga transmitir o que tem sido a minha experiência de “caloiro” nestas andanças, devo deixar aqui expresso o meu reconhecimento pelo apoio recebido em todos os momento em que sinto necessidade de aprender melhores abordagens ao tema solidão na terceira idade.
Posso então dizer que esta minha “vivência”, iniciada à cerca de 10 meses com a troca do primeiro mail, tem sido surpreendentemente fácil e gratificante pois fez-me gerir activamente uma manhã por semana com algo de novo no pensamento.
Envelhecemos quando nos fechamos a novas ideias e nos tornamos radicais, isto é, quando o novo nos assusta.
Sugestões e fórmulas estudadas para uma boa velhice, são actos de gestão anunciados pelos diversos governos dos últimos anos, porém a esperança média de vida em aumento crescente, torna-se, na perspectiva de muitos, num empecilho económico que o estado não consegue resolver.
Que valor tem a vida sem projecto de vida?
Sobre tudo o que escrevi inevitavelmente existem rostos e nomes e nada aconteceu sem o contributo desses protagonistas, no entanto julgo interpretar bem o sentido que a todos move, não mencionando pessoas. Ser voluntário é sentir motivação em valores de solidariedade a causas de interesse social doando o seu tempo sem esperar retribuição.
Mais voluntários precisam-se!
O Voluntário da Raízes
Henrique Durão

